top of page

Cirurgia de pterígio: quando ela deixa de ser apenas uma questão estética?

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 19 horas

O pterígio costuma chamar atenção primeiro pela aparência: um tecido que cresce a partir da conjuntiva, geralmente em direção à córnea. Por esse motivo, muitas pessoas acreditam que sua retirada é realizada somente por razões estéticas.

No entanto, o pterígio é uma alteração da superfície ocular que, em determinadas situações, pode provocar desconforto, modificar a córnea e até comprometer a qualidade da visão. A decisão de realizar a cirurgia deve considerar os sintomas, a evolução da lesão e os achados do exame oftalmológico.


O que é o pterígio?

O pterígio é um crescimento fibrovascular da conjuntiva que avança sobre a córnea, sendo mais frequentemente observado no lado nasal do olho.


A exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) é considerada um dos principais fatores associados ao seu desenvolvimento. Fatores ambientais, como exposição frequente ao vento e a ambientes secos ou com poeira, também são frequentemente relacionados à irritação da superfície ocular. A evidência científica atual mantém a exposição ultravioleta como o principal fator ambiental associado à doença.


Quais sintomas o pterígio pode causar?

Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Em alguns casos, o pterígio pode permanecer pequeno e causar pouca ou nenhuma queixa.

Em outros, podem surgir:

  • vermelhidão recorrente;

  • sensação de irritação ou corpo estranho;

  • ardência e desconforto ocular;

  • alterações na superfície da córnea;

  • mudanças no astigmatismo;

  • redução da qualidade visual, especialmente quando a lesão progride em direção à região central da córnea.


Por isso, o tamanho aparente do pterígio não é o único fator considerado pelo oftalmologista.


Todo pterígio precisa de cirurgia?


Não.


Quando a lesão é pequena, estável e não provoca comprometimento visual significativo, o acompanhamento oftalmológico e medidas para controlar os sintomas podem ser suficientes.

Colírios lubrificantes, por exemplo, podem ser utilizados em determinados pacientes para aliviar sintomas relacionados à irritação da superfície ocular. Eles, entretanto, não fazem o pterígio desaparecer.


O acompanhamento também permite observar se existe crescimento da lesão ou alguma mudança que possa alterar a indicação de tratamento.


Quando a cirurgia de pterígio pode ser indicada?

A indicação deve ser individualizada. A cirurgia pode ser considerada, por exemplo, quando há progressão da lesão sobre a córnea, comprometimento visual ou alterações refrativas relevantes, além de situações com sintomas persistentes ou outras repercussões clínicas.

A aparência também pode fazer parte da decisão compartilhada entre médico e paciente, mas está longe de ser o único aspecto avaliado.


Assim, a pergunta mais importante não é simplesmente “qual é o tamanho do pterígio?”, mas como essa alteração está afetando o olho e a vida daquele paciente.


Como é realizada a cirurgia?

Existem diferentes técnicas cirúrgicas.

De maneira geral, o procedimento envolve a remoção do tecido do pterígio. Atualmente, técnicas que associam a retirada da lesão à reconstrução da superfície ocular, especialmente com autoenxerto conjuntival, possuem respaldo importante na literatura científica.


Uma revisão sistemática da Cochrane encontrou menor risco de recorrência em seis meses com o autoenxerto conjuntival em comparação ao transplante de membrana amniótica. Evidências mais recentes continuam apontando o autoenxerto conjuntival como uma das principais estratégias cirúrgicas para reduzir a recorrência.


A técnica mais adequada, porém, deve ser escolhida pelo cirurgião de acordo com as características de cada caso.


O pterígio pode voltar depois da cirurgia?

Sim. A recorrência é uma das principais questões consideradas no tratamento cirúrgico do pterígio.


O risco varia conforme diferentes fatores, incluindo características do paciente, da própria lesão e da técnica cirúrgica utilizada.


Por isso, simplesmente remover o pterígio e deixar a esclera exposta deixou de ser a estratégia preferencial em muitos contextos. Estudos e revisões mostram que técnicas com enxerto conjuntival apresentam resultados mais favoráveis em relação à recorrência.


Uma ampla revisão publicada em 2023 também demonstrou que as taxas de recorrência variam de acordo com a técnica empregada.


A técnica utilizada na cirurgia faz diferença?

Sim.

Além da escolha do enxerto, existem diferentes maneiras de fixá-lo. Evidências recentes continuam investigando estratégias para reduzir recorrência, desconforto e complicações pós-operatórias.


Uma meta-análise em rede publicada em 2026, reunindo 35 ensaios clínicos randomizados e 2.501 olhos, encontrou diferenças entre métodos de fixação do autoenxerto, reforçando que a escolha da técnica cirúrgica pode influenciar os resultados.


Isso não significa que exista uma única técnica ideal para todos os pacientes. O planejamento deve ser individualizado pelo oftalmologista.


Como reduzir o risco de desenvolver ou agravar o pterígio?

Como a exposição à radiação ultravioleta tem uma associação importante com o desenvolvimento do pterígio, proteger os olhos da radiação UV é uma medida relevante.


O uso de óculos de sol com proteção adequada contra radiação ultravioleta e outras formas de proteção física, especialmente para pessoas que permanecem muito tempo ao ar livre, pode ajudar a reduzir a exposição acumulada.


Além disso, pacientes que já apresentam pterígio devem manter acompanhamento para observar sua evolução.


Quando procurar um oftalmologista?

Se você percebeu um tecido crescendo em direção à córnea, apresenta vermelhidão ou irritação frequentes, percebeu mudanças na visão ou já possui diagnóstico de pterígio e notou que a lesão está aumentando, é importante realizar uma avaliação.


Somente o exame oftalmológico permite avaliar o tamanho, a progressão e as repercussões do pterígio e determinar se o acompanhamento clínico continua sendo suficiente ou se existe indicação cirúrgica.


A cirurgia de pterígio não é necessariamente um procedimento estético. Em determinados pacientes, ela faz parte do tratamento de uma condição capaz de interferir na superfície ocular e na qualidade da visão.


Clínica FAV

Para mais informações ou para agendar sua avaliação oftalmológica, entre em contato pelo WhatsApp (81) 3081-1500.


Responsável Técnica:

Dra. Liana Ventura | CRM-PE 7594 | RQE 728


Referências:

Este conteúdo foi elaborado com base em revisões sistemáticas e literatura científica sobre pterígio, incluindo evidências da American Academy of Ophthalmology, revisões sistemáticas da Cochrane e estudos indexados no PubMed sobre fatores de risco, indicação e técnicas cirúrgicas.

 
 
 

Comentários


bottom of page