Cirurgia de pterígio: quando ela deixa de ser apenas uma questão estética?
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Atualizado: há 19 horas
O pterígio costuma chamar atenção primeiro pela aparência: um tecido que cresce a partir da conjuntiva, geralmente em direção à córnea. Por esse motivo, muitas pessoas acreditam que sua retirada é realizada somente por razões estéticas.

No entanto, o pterígio é uma alteração da superfície ocular que, em determinadas situações, pode provocar desconforto, modificar a córnea e até comprometer a qualidade da visão. A decisão de realizar a cirurgia deve considerar os sintomas, a evolução da lesão e os achados do exame oftalmológico.
O que é o pterígio?
O pterígio é um crescimento fibrovascular da conjuntiva que avança sobre a córnea, sendo mais frequentemente observado no lado nasal do olho.
A exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) é considerada um dos principais fatores associados ao seu desenvolvimento. Fatores ambientais, como exposição frequente ao vento e a ambientes secos ou com poeira, também são frequentemente relacionados à irritação da superfície ocular. A evidência científica atual mantém a exposição ultravioleta como o principal fator ambiental associado à doença.
Quais sintomas o pterígio pode causar?
Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Em alguns casos, o pterígio pode permanecer pequeno e causar pouca ou nenhuma queixa.
Em outros, podem surgir:
vermelhidão recorrente;
sensação de irritação ou corpo estranho;
ardência e desconforto ocular;
alterações na superfície da córnea;
mudanças no astigmatismo;
redução da qualidade visual, especialmente quando a lesão progride em direção à região central da córnea.
Por isso, o tamanho aparente do pterígio não é o único fator considerado pelo oftalmologista.
Todo pterígio precisa de cirurgia?
Não.
Quando a lesão é pequena, estável e não provoca comprometimento visual significativo, o acompanhamento oftalmológico e medidas para controlar os sintomas podem ser suficientes.
Colírios lubrificantes, por exemplo, podem ser utilizados em determinados pacientes para aliviar sintomas relacionados à irritação da superfície ocular. Eles, entretanto, não fazem o pterígio desaparecer.
O acompanhamento também permite observar se existe crescimento da lesão ou alguma mudança que possa alterar a indicação de tratamento.
Quando a cirurgia de pterígio pode ser indicada?
A indicação deve ser individualizada. A cirurgia pode ser considerada, por exemplo, quando há progressão da lesão sobre a córnea, comprometimento visual ou alterações refrativas relevantes, além de situações com sintomas persistentes ou outras repercussões clínicas.
A aparência também pode fazer parte da decisão compartilhada entre médico e paciente, mas está longe de ser o único aspecto avaliado.
Assim, a pergunta mais importante não é simplesmente “qual é o tamanho do pterígio?”, mas como essa alteração está afetando o olho e a vida daquele paciente.
Como é realizada a cirurgia?
Existem diferentes técnicas cirúrgicas.
De maneira geral, o procedimento envolve a remoção do tecido do pterígio. Atualmente, técnicas que associam a retirada da lesão à reconstrução da superfície ocular, especialmente com autoenxerto conjuntival, possuem respaldo importante na literatura científica.
Uma revisão sistemática da Cochrane encontrou menor risco de recorrência em seis meses com o autoenxerto conjuntival em comparação ao transplante de membrana amniótica. Evidências mais recentes continuam apontando o autoenxerto conjuntival como uma das principais estratégias cirúrgicas para reduzir a recorrência.
A técnica mais adequada, porém, deve ser escolhida pelo cirurgião de acordo com as características de cada caso.
O pterígio pode voltar depois da cirurgia?
Sim. A recorrência é uma das principais questões consideradas no tratamento cirúrgico do pterígio.
O risco varia conforme diferentes fatores, incluindo características do paciente, da própria lesão e da técnica cirúrgica utilizada.
Por isso, simplesmente remover o pterígio e deixar a esclera exposta deixou de ser a estratégia preferencial em muitos contextos. Estudos e revisões mostram que técnicas com enxerto conjuntival apresentam resultados mais favoráveis em relação à recorrência.
Uma ampla revisão publicada em 2023 também demonstrou que as taxas de recorrência variam de acordo com a técnica empregada.
A técnica utilizada na cirurgia faz diferença?
Sim.
Além da escolha do enxerto, existem diferentes maneiras de fixá-lo. Evidências recentes continuam investigando estratégias para reduzir recorrência, desconforto e complicações pós-operatórias.
Uma meta-análise em rede publicada em 2026, reunindo 35 ensaios clínicos randomizados e 2.501 olhos, encontrou diferenças entre métodos de fixação do autoenxerto, reforçando que a escolha da técnica cirúrgica pode influenciar os resultados.
Isso não significa que exista uma única técnica ideal para todos os pacientes. O planejamento deve ser individualizado pelo oftalmologista.
Como reduzir o risco de desenvolver ou agravar o pterígio?
Como a exposição à radiação ultravioleta tem uma associação importante com o desenvolvimento do pterígio, proteger os olhos da radiação UV é uma medida relevante.
O uso de óculos de sol com proteção adequada contra radiação ultravioleta e outras formas de proteção física, especialmente para pessoas que permanecem muito tempo ao ar livre, pode ajudar a reduzir a exposição acumulada.
Além disso, pacientes que já apresentam pterígio devem manter acompanhamento para observar sua evolução.
Quando procurar um oftalmologista?
Se você percebeu um tecido crescendo em direção à córnea, apresenta vermelhidão ou irritação frequentes, percebeu mudanças na visão ou já possui diagnóstico de pterígio e notou que a lesão está aumentando, é importante realizar uma avaliação.
Somente o exame oftalmológico permite avaliar o tamanho, a progressão e as repercussões do pterígio e determinar se o acompanhamento clínico continua sendo suficiente ou se existe indicação cirúrgica.
A cirurgia de pterígio não é necessariamente um procedimento estético. Em determinados pacientes, ela faz parte do tratamento de uma condição capaz de interferir na superfície ocular e na qualidade da visão.
Clínica FAV
Para mais informações ou para agendar sua avaliação oftalmológica, entre em contato pelo WhatsApp (81) 3081-1500.
Responsável Técnica:
Dra. Liana Ventura | CRM-PE 7594 | RQE 728
Referências:
Este conteúdo foi elaborado com base em revisões sistemáticas e literatura científica sobre pterígio, incluindo evidências da American Academy of Ophthalmology, revisões sistemáticas da Cochrane e estudos indexados no PubMed sobre fatores de risco, indicação e técnicas cirúrgicas.




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